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sexta-feira, novembro 18, 2011

Personagens: de diretor do FMI a possível vilão, conheça a trajetória de Strauss-Kahn

Personagens: de diretor do FMI a possível vilão, conheça a trajetória de Strauss-Kahn

20 de maio de 2011 • 17h52 Por: Anderson Figo

SÃO PAULO - De mocinho a vilão, Personagens do Mercado desta vez destrincha a história de um dos nomes mais polêmicos das últimas semanas: Dominique Gaston André Strauss-Kahn, o menino francês que cresceu em meio aos estudos e se tornou um dos mais importantes presidentes do FMI (Fundo Monetário Internacional), chegando a ser a pessoa mais cotada para vencer as eleições presidenciais da França em 2012, mas que agora vê sua carreira manchada por escândalos sexuais.

Filho da jornalista Jacqueline Fellus e do consultor financeiro Gilbert Strauss-Kahn, o ex-presidente do FMI nasceu na cidade francesa Neuilly-sur-Seine em 25 de abril de 1949. A família se mudou para o Marrocos em 1951, mas após um terremoto em 1960 eles passaram a viver no principado de Mônaco, onde Strauss-Kahn deu início aos seus estudos.

Pouco tempo depois, Strauss-Kahn voltou à Paris com a família para frequentar o colegial no Lycée Carnot, um renomado colégio francês. Vindo de família da classe média, ele teve a possibilidade de se dedicar a uma vida acadêmica intensa, sempre em boas universidades.

Assim, Strauss-Kahn fez graduação em economia pela HEC Paris em 1971 e em ciências políticas em 1972. Apesar de ter tentado sem sucesso ser admitido para estudar administração na École Nationale D'Administration, Strauss-Kahn também formou-se em direito e obteve um PhD em economia pela Université Paris.

Carreira política
Strauss-Kahn iniciou sua carreira como assistente de professor na Université Paris, onde posteriormente lecionou economia até 1978. Por conta de sua boa fama acadêmica, foi convidado a ser comissionário da Agência de Planejamento Econômico da França em 1981, mas deixou o cargo em 1986 para se tornar deputado.

Como deputado, Strauss-Kahn intensificou sua fama no meio político francês ao participar das negociações da Rodada Uruguai, que foi iniciada em setembro de 1986 e durou até abril de 1994. Baseada no encontro ministerial de Genebra do GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio) de 1982, a Rodada do Uruguai nasceu em Punta del Este e espalhou uma onda de negociações entre grandes economias globais, culminando na transformação do GATT na OMC (Organização Mundial do Comércio).

Depois disso, ele foi galgando posições entre as classes políticas francesas, chegando a ser ministro das Finanças da França no período entre junho de 1997 e novembro de 1999. Nessa época, Strauss-Kahn foi apontado como um dos principais articuladores da Europa para a criação de uma moeda única para a região, o euro, que surgiu em 1º de janeiro de 1999.

Ingresso no FMI
Aos 58 anos de idade, em 2007, Strauss-Kahn conquistou um dos principais cargos na política econômica internacional: o posto de diretor presidente do FMI. No primeiro dia de seu mandato na instituição, Strauss-Kahn prometeu que iria reformar o quadro de 185 representantes-membros de cada nação e que contribuiria para o bem da economia global.

Para ingressar no Fundo, ele foi apoiado por 27 países da União Europeia, os Estados Unidos, a China e a maior parte do continente africano. À frente do FMI, Strauss-Kahn ficou conhecido por seu projeto de substituição do dólar norte-americano por outra moeda global, chamada de SDR (Special Drawing Rights). É claro que, por mexer com os interesses de grandes economias, o projeto não fez tanto sucesso assim entre os membros do Fundo.

Mas foi em um passado recente que Strauss-Kahn ganhou notoriedade estando na presidência do FMI. Isso porque ele foi apontado como um dos principais articuladores para resgatar as economias europeias afundadas na ainda persistente crise das dívidas soberanas. Vale lembrar que, até o momento, o FMI já acertou três pacotes de ajuda financeira à nações diferentes da UE: Grécia (€ 110 bilhões), Irlanda (€ 85 bilhões) e Portugal (€ 78 bilhões).

Uma vida de polêmicas
Coincidências do destino ou não, foi no auge de sua carreira, neste ano, que Strauss-Kahn transformou-se de bom moço a vilão aos olhos dos mercados globais. Em 2008, o FMI abriu um processo de investigação interna para apurar denúncias de que ele teria assediado uma economista do Fundo, chamada Piroska Nagy, que acusou Strauss-Kahn de utilizar de sua posição no FMI para persuadi-la a iniciar um caso.

Depois de algumas semanas de investigação, o FMI concluiu que de fato eles tinham tido um affair, mas negou que Strauss-Kahn teria utilizado de abuso de poder para isso. Piroska foi demitida da instituição e Strauss-Kahn foi mantido como diretor presidente do Fundo após divulgar uma nota pública em que pedia desculpas pelo ocorrido.

Mas em 2011, a conduta pessoal de Strauss-Kahn sofreu um novo baque - e um muito mais intenso. No último dia 15 de maio, Strauss-Kahn foi retirado de um avião - no qual iria para uma reunião entre os líderes da UE para acertar o resgate à Portugal - e colocado sob custódia da polícia de Nova York em função de novas acusações sobre tentativa de estupro. Desta vez a vítima foi uma faxineira do hotel que o executivo estava hospedado em NY para compromissos profissionais.

A notícia caiu como uma bomba sobre a carreira de Strauss-Kahn, que era apontado como principal candidato à presidência da França em 2012 pelo Partido Socialista, de oposição, além de ser considerado uma das figuras-chave nas negociações para resolução da crise da dívida soberana na Europa.

Depois da notícia, uma jornalista e escritora francesa, chamada Tristane Banon, veio à público acusá-lo de tê-la estuprado em 2002. Apesar de não ter denunciado Strauss-Kahn na época, a francesa afirmou que está estudando formalizar a acusação, já que o crime ainda não prescreveu. Uma segunda jornalista, que não se identificou, também acusou o ex-diretor do FMI de ter tentado iniciar um caso em troca de uma entrevista.

Renúncia do FMI
Depois de passar três dias atrás das grades, cresceram as pressões acerca da imagem do FMI relacionada a seu presidente. Tais pressões levaram Strauss-Kahn a renunciar seu cargo no Fundo, apenas quatro anos após sua entrada na instituição. Em sua carta de renúncia, Strauss-Kahn disse que precisava de tempo para provar sua inocência.

"É com grande tristeza que eu apresento hoje minha renúncia ao posto de diretor presidente do FMI. Faço isso pensando em minha esposa - que eu amo mais que tudo -, nos meus filhos, na minha família e nos meus amigos. Eu penso também nos meus colegas no Fundo; juntos nós presenciamos tantas coisas boas nestes últimos três anos e mais. À todos, gostaria de dizer que nego com toda clareza possível as alegações que foram feitas contra mim. Quero proteger esta instituição, a qual eu servi com honra e devoção e especialmente gostaria de dedicar todas as minhas forças, todo meu tempo e toda minha energia para provar minha inocência", escreveu Strauss-Kahn em seu pedido de renúncia.

O ex-presidente do FMI deixará a famosa prisão de Rikers Island, em Nova York, nesta sexta-feira, depois de um juiz autorizar que ele responda processo em prisão domiciliar na véspera, após o pagamento de US$ 1 milhão de fiança. Ele foi indiciado criminimalmente e deverá se manter em território norte-americano, confinado na casa de sua esposa em Nova York. Além de pagar fiança, ele também cedeu um título de US$ 5 milhões securitizado pela sua casa, além de também ter que ficar submetido a vigilância eletrônica e de um guarda armado 24 horas por dia.

O ex-diretor responde por sete acusações criminais, incluindo ato sexual criminoso, tentativa de estupro, abuso sexual, confinamento ilegal e carícias forçadas, e será julgado por cada uma delas. Caso seja julgado como culpado em todas elas, terá de cumprir uma pena máxima de 74 anos e 3 meses de prisão.

Após a renúncia de Strauss-Kahn, vários nomes estão sendo cogitados para o processo de sucessão – muitos, inclusive, ligados as economias emergentes. Até agora, a grande favorita para o cargo é a ministra de Finanças francesa Christine Lagarde, tendo a seu favor o predomínio do continente no posto. A francesa ganhou o respeito dos mercados durante a crise financeira e foi eleita a melhor ministra de finanças da Zona do Euro pela Financial Times.

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