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terça-feira, julho 21, 2009

A era do batom no setor financeiro

A era do batom no setor financeiro

Instituições financeiras se adaptam ao avanço da mulher na Bolsa, no mercado de trabalho, no consumo e na renda familiar

Por Giseli Cabrini 14.07.2009 08h13

Portal EXAME -

Há alguns anos o banco americano Sovereign Bank inovou ao criar uma divisão especializada em produtos voltados para mulheres empreendedoras. Hoje uma unidade do grupo Santander, o banco decidiu criar essa área de negócios porque acredita que as mulheres têm necessidades bancárias diferentes dos homens.

No Paquistão, onde o mercado bancário é muito menos sofisticado que nos Estados Unidos, o First Women Bank concede crédito exclusivamente para mulheres. Com agências em 23 cidades, o banco financia a abertura de pequenas empresas, o pagamento de mensalidades escolares ou a compra da primeira casa - e até já foi premiado pela Organização Internacional do Trabalho (da ONU) e pela revista especializada em finanças Euromoney.

Entre as instituições financeiras brasileiras, a "era do batom" não está tão avançada. Ainda não existe iniciativa semelhante ao do First Women Bank no mercado local. Lógico que os grandes bancos, seguradoras e corretoras já perceberam que o tempo em que as mulheres eram simples administradoras do dinheiro para as despesas do lar ficou para trás. Qualquer pesquisa séria sobre os hábitos dos brasileiros mostrará que nas últimas décadas a mulher ganhou espaço no mercado de trabalho, na renda familiar, no consumo e na bolsa.

De olho nesse mercado, o que começa a surgir no país são produtos e serviços desenvolvidos para agradar o público feminino. "Nossa estratégia é falar a linguagem delas e atender as demandas do público feminino de forma a construir e fortalecer um relacionamento de longo prazo", afirma a superintendente de segmentos do grupo Santander Brasil, Litiza Bernardes.

As mulheres vão à bolsa

Uma das primeiras instituições financeiras a perceber o novo status da mulher no mundo das finanças foi a BM&FBovespa. O interesse crescente do público feminino pelo mercado de ações é monitorado de perto pela bolsa, que resolveu reforçar neste ano o Programa Mulheres em Ação, lançado em 2003.

Embora os homens ainda sejam 73,4% dos investidores entre as pessoas físicas, o avanço feminino tem sido muito maior. "A partir de 2002, o número de investidoras na Bolsa cresceu 700%, enquanto o de investidores aumentou 463%", afirma a gerente de programas de popularização da BM&FBovespa, Patrícia Quadros.

Outra prova do avanço delas no mercado financeiro é que as quatro turmas mensais de cursos oferecidos pela Bolsa para mulheres sobre educação financeira e mercado de ações têm sempre uma grande fila de espera, mesmo com a abertura de classes extras.

A busca de mais tempo para passar com a família ajuda a explicar o fenômeno. Foi esse motivo que levou a farmacêutica Luiza - que pediu para não ter seu sobrenome publicado - a trocar o negócio próprio que tinha no interior de Santa Catarina para comprar e vender ações via home broker.

"Comecei a investir em ações em 2007 quando fiz um MBA em gestão empresarial e tive um contato mais próximo com o mercado financeiro. Incentivada por um dos meus professores, comecei a me interessar pelo tema e fiz vários cursos. Há quatro meses, tenho me dedicado exclusivamente ao home broker", afirma Luiza.

Ela não revela seus ganhos, mas diz que a grande vantagem é administrar de casa seus negócios. "Acredito que essa é uma boa opção para as mulheres. Eu consigo acompanhar a tarefa que meu filho está fazendo, falar com meu corretor e ainda decidir o que será feito para o almoço".

Luiza, no entanto, faz algumas ressalvas. Para ter sucesso em investimentos é preciso conhecer o assunto, contar com o suporte de uma boa corretora, acompanhar de perto os investimentos e seguir a própria intuição. "Você não pode simplesmente deixar tudo nas mãos do corretor. Caso discorde do modo como ele investe, troque. Fiz isso e hoje encontrei um profissional que combina com o meu perfil", diz Luiza.

Perfis diferentes

Homens e mulheres são mesmo diferentes na hora de investir, o que é ao mesmo tempo uma oportunidade e um desafio para as instituições financeiras. "A mulher é uma investidora nata. Ela sempre foi a gestora das finanças pessoais da família, mas possui características muito diferentes das dos homens. Elas não entram no mercado para arriscar, mas para formar patrimônio", diz Patrícia, da BM&FBovespa.

Pesquisa realizada pelo Grupo Santander Brasil mostra que a relação da mulher com o dinheiro é totalmente diferente - não apenas no quesito investimentos. O levantamento mostra que as mulheres têm preocupação em deixar algo para os filhos. No caso das responsáveis pela renda familiar, o desejo é a continuação dos estudos dos filhos e a manutenção do padrão da família. "Para eles, o dinheiro é poder, e, para elas, é segurança", diz a especialista em inovação bancária Eliana Bussinger.

Por esse motivo, as mulheres costumam ser menos endividadas, valorizam promoções e clubes de vantagens e gostam de produtos de longo prazo como previdência privada e poupança. Há ainda uma grande preocupação com o bem-estar próprio e familiar. "Todo mundo pensa que as mulheres gastam mais e quem paga a conta é o marido. Isso não é verdade. Quase 60% das que possuem cartão de crédito são solteiras", diz Eliana.

Como deixá-las mais seguras

No segmento de seguros, a estratégia para atrair as mulheres está nos serviços agregados. Eles funcionam como uma espécie de chamariz para evitar que a mulher herde o corretor do pai ou do marido. Desenvolvidos especialmente para atender demandas femininas e sem custo adicional, os serviços agregados preveem, por exemplo, trocas ilimitadas de pneus previstas em apólices de veículos ou acompanhantes em caso de registro de boletim de ocorrência em delegacias.

"Para sair do conceito de commodity é preciso apostar na diferenciação da carteira. Nós começamos pela mulher em virtude da sua representatividade", afirma o vice-presidente de vendas e marketing da Sulamérica, Marcus Vinícius Martins. Atualmente, as mulheres respondem por 43% da carteira de automóveis da seguradora.

Já a área de seguros do Itaú-Unibanco aposta em uma estratégia que combina abordagem diferenciada e produtos para ambos os gêneros, mas que têm como atrativo coberturas e serviços adicionais específicos para elas. Segundo o banco, oferecer serviços que as mulheres possam usufruir em vida - como tratamentos estéticos - é uma forma de incentivar o interesse delas por seguros de vida. Atualmente as mulheres respondem 10% dessa carteira do Itaú-Unibanco, que desde 1998 oferece uma modalidade específica para o público feminino.

Os bancos irão atrás

Embora o Banco Central e a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) não disponham de dados segmentados por gênero referentes à bancarização, o Ibope Inteligência afirma que 47% das mulheres e 56% dos homens com 16 anos ou mais têm conta em banco no país.

Na avaliação da diretora-executiva de atendimento e planejamento do Ibope Inteligência, Laure Castelnau, a gama de produtos e serviços para mulheres dentro dos bancos deve aumentar nos próximos anos, principalmente os voltados para crédito e a consultoria financeira.

Ainda segundo Laure, ao lançar um produto e serviço específico para mulheres, é importante considerar a busca do público feminino pela independência financeira, estabilidade e qualidade de vida.

"Creio que o mercado financeiro está preparado, mas precisa estudar de forma mais profunda as necessidades das mulheres para moldar produtos e serviços e refinar a abordagem junto a esse público".

Mais instruídas e poderosas

Passível ou não de adaptações, o fato é que o despertar do mercado financeiro para as mulheres já aconteceu e não foi por acaso. Em primeiro lugar, elas vivem mais. Além disso, o aumento da qualificação e da participação das mulheres como chefes de família e no mercado de trabalho foi comprovado pela última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De modo geral, entre o público feminino que trabalha, elas possuem, em média, um ano de estudo a mais do que eles. Em relação ao nível superior, as mulheres também se sobressaem. Em 2007, do conjunto de estudantes no ensino superior, 57,1% eram mulheres.

A participação delas como chefes de família também é cada vez maior, tanto entre as que são casadas quanto entre as que cuidam sozinhas dos filhos. As chefes de família passaram de 22,3% em 1993 para 33% em 2007. A presença das mulheres também aumenta no mercado de trabalho. Em 1996, 46% da população feminina estava ocupada ou à procura de emprego. Em 2007, passou para 52,4%.

No entanto, o horizonte para elas ainda não é assim tão cor-de-rosa. Vale destacar que grande parte do público feminino continua fora do mercado formal e também recebe salários inferiores aos pagos aos homens. Em 2007, apenas 25,2% das mulheres trabalhadoras no país possuíam carteira assinada. Os salários são, em média, 60% menores. Quem olha a evolução histórica desses dados, no entanto, não tem dúvidas que essas diferenças serão cada vez menores.

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