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terça-feira, junho 02, 2009

Personagens do mercado: as lições de Warren Buffett, o oráculo de Omaha

Personagens do mercado: as lições de Warren Buffett, o oráculo de Omaha

Por: Roberto Altenhofen Pires Pereira
21/05/09 - 11h15
InfoMoney


SÃO PAULO - A segunda matéria da série Personagens do Mercado não consegue
fugir do óbvio. Após falar de Benjamin Graham, a InfoMoney conta a história
do investidor mais famoso do mundo, o mais bem sucedido; traz um pouco da
vida de Warren Buffett.

As lições e o jeito simples tornam Buffett um ícone dos mercados. Aos 78
anos, o "oráculo de Omaha" fala e os mercados escutam. Qualquer decisão por
ele anunciada, por si só, já parece garantir o retorno para a Berkshire
Hathaway. Buffett fala, os mercados assumem.

Mais do que um caso de sucesso, a vida de Buffett é uma lição valiosa. Seus
valores, ideias e iniciativas ultrapassam as cifras que conquistou na
bolsa. Desta vez, Personagens do Mercado conta uma história de vida.

Os primeiros passos
Desde criança mostrava extrema habilidade com números. Fazia diversas
operações matemáticas de cabeça, o que chama atenção até hoje. Uma das
frases mais conhecidas de Buffett já se aplica ao seu primeiro
investimento. "A primeira regra é não perder dinheiro. A segunda regra é
nunca esquecer a primeira regra".

Conta-se que aos seis anos, Buffett, que era filho de um operador de
mercado, comprava garrafas de Coca-Cola na venda de seu avô e as revendia
com pequeno ágio. Seu primeiro contato com a bolsa, no entanto, veio
através da companhia Cities Service. Aos onze anos, Buffett comprou três
ações preferenciais da empresa, por US$ 38 cada.

Seu primeiro investimento em ações, que havia sido realizado em conjunto
com sua irmã Doris, parecia ir por água abaixo. Logo após a compra, o valor
das ações caiu para US$ 27. Sem esquecer sua primeira lição, Buffett revela
a segunda já aos onze anos. Esperou, até vender suas três ações a US$ 40
cada. Paciência é uma virtude também nos investimentos. Ainda assim,
Buffett parecia jovem demais para perceber que o papel tinha potencial para
chegar a US$ 200, como chegou.


(Embedded image moved to file: pic07164.jpg)Paciência
O caso da Cities Service foi apenas uma introdução do que seria o perfil de
investimento de Warren Buffett: foco voltado ao longo prazo. O próprio
Buffett chegou a confirmar que analisou o balanço da Anheuser-Busch por 25
anos antes de comprar a ação da empresa.

No momento em que a comprou, não se importou muito em avaliar o preço que
estava pagando, afinal, seus esforços se baseavam de maneira geral na
análise do que estava comprando. "Compre uma empresa, não uma ação."

Contato com o Value Investing
Mas Buffett saberia como ninguém adquirir ações também por preços
atrativos. Sua maneira de administrar períodos de crise lhe rendeu boa
parte de sua fortuna. Voltando à importância de se ter paciência, Buffett
chega a esperar anos para comprar uma ação abaixo de seu valor intrínseco.

Esta ideia remete a seu mentor, Benjamin Graham. Voltando à sua história,
aos dezessete anos Buffett se formou no ensino fundamental e partiu, por
vontade de seu pai, para uma faculdade. Após cursar dois anos na
Universidade da Pensilvânia e largar os estudos, tentou ingressar em
Harvard. Foi rejeitado, considerado jovem demais. Partiu para a
Universidade de Columbia, onde teve contato com Graham.

Apesar de sua vocação natural, os ensinamentos de Benjamin Graham podem ser
considerados como ponto crucial para a história de Buffett nos
investimentos. Ao conhecer os conceitos do value investing, passou a
segui-los à risca. Aos 21 anos, Buffett foi acompanhar Graham também em sua
empresa, após muitos esforços para conseguir o tal emprego na Geico, que
muito depois viria a ser comprada pela Berkshire Hathaway.

Buffett Associates
Entre as diversas lições deixadas por Buffett, uma vai contra um princípio
comum a alguns investidores. Buffett preferia alguma concentração dos
investimentos, não optando por uma total diversificação. "Uma
diversificação ampla só é requerida quando os investidores não entendem o
que estão fazendo".

A partir das próprias experiências e do conhecimento adquirido com Graham,
passou a voar sozinho. Em 1956, criou a Buffett Associates, junto com suas
irmãs e outros parceiros. A pequena companhia conseguia, em seus primeiros
anos, um retorno próximo de 250%, em um intervalo que o índice Dow Jones
havia acumulado valorização de 74%.

Buffett se tornou celebridade em sua região. Ainda assim, sempre se negou a
oferecer qualquer dica de investimento a seus amigos, quando solicitado.
Sempre reconheceu a importância dos ensinamentos do mentor Graham.

Berkshire: de US$ 10 a US$ 92.000
Com 35 anos, Buffett finalmente chegou ao controle da Berkshire Hathaway,
uma empresa do ramo têxtil que também vendia seguros. Buffett considerava a
administração da companhia muito fraca no momento, e acumulou 49% de suas
ações ordinárias para se autodeclarar diretor.

Na ocasião da aquisição, as ações da Berkshire Hathaway valiam menos de US$
10 cada, isto em 1965. No fechamento da última segunda-feira (18), as
mesmas ações valiam US$ 92.000 cada. Hoje, a Berkshire se tornou uma
holding que possui participações importantes em companhias como Coca-Cola,
Gillette, American Express, Conoco Phillips e, recentemente, bancos como
Wells Fargo e Goldman Sachs.

Em 2007, Buffett confirmou em sua carta aos acionistas que o único
investimento que a Berkshire vinha mantendo em moeda estrangeira era no
real, desde 2002. Naquele ano, a divisa norte-americana se desvalorizou em
cerca de 17% ante a brasileira. Os investimentos em reais renderam
aproximadamente US$ 2,3 bilhões a Buffett.

O mesmo de 50 anos atrás
Além de sua estratégia de investimentos, Buffett chama atenção por seu
estilo de vida. Apesar de bilionário, mantém muitos dos costumes de sua
juventude. Ainda mora na cidade de Omaha, na mesma casa adquirida 50 anos
atrás, por aproximadamente US$ 31 mil. Aos 78 anos, afirma que deixará de
herança a seus filhos o necessário para que façam o que quiserem, mas façam
alguma coisa. Buffett se comprometeu, em 2006, a doar aproximadamente 85%
de sua fortuna para a Fundação de Bill Gates, o que representa o maior ato
filantrópico da história.

As histórias de Buffett fazem um mercado sofisticado para muitos parecer
simples. Entre tantas estratégias, a visão do oráculo de Omaha lembra do
conceito clássico de investimento, de buscar valor, de focar o longo prazo.


Os números falam por si. Em 2008, Buffett perdeu aproximadamente US$ 25
bilhões com a crise internacional. Sem este dinheiro, ainda é considerado o
segundo homem mais rico do mundo e o investidor mais bem sucedido de todos,
com uma fortuna estimada em US$ 37 bilhões [dados de 2009 da Forbes].

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