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terça-feira, março 17, 2009

Físicos e a Alquimia dos Mercados

Físicos e a Alquimia dos Mercados
março 16, 2009 por Fernando Botti

Escrito por Dennis Overbye, o artigo "A alquimia dos mercados" tenta

elucidar o limite de funcionamento das estratégias quantitativas, até que

ponto a crença na métrica de risco foi responsável pela crise?

Emanuel Derman esperava sentir uma certa fossa quando deixou a física de

partículas por um emprego em Wall Street em 1985. Afinal, por quase 20

anos, como estudante na Universidade Columbia em Nova York e bolsista de

doutorado em instituições como Oxford e a Universidade do Colorado, ele

havia convi-vido com prêmios Nobel. Como administrar dinheiro poderia se

comparar com isso?


Mas a fossa não aconteceu. Pelo contrário, ele se apaixonou por uma área

das finanças que lida com opções de ações.

"A teoria das opções tem uma certa profundidade. Era muito elegante; tinha

a qualidade da física", explicou recentemente Derman com um pouco de

melancolia, sentado em seu escritório em Columbia, onde hoje é professor de

finanças e consultor de gestão de riscos na Prisma Capital Partners.

Derman, que passou 17 anos na Goldman Sachs e chegou a diretor-gerente, foi

precursor de muitos físicos e outros cientistas que inundaram Wall Street.

Eles são conhecidos como "quants", porque fazem finanças quantitativas.

Usam técnicas com as quais esperavam solucionar os mistérios do universo

para ganhar dinheiro.


Essa enxurrada parece continuar, apesar do colapso econômico mundial.

Alguns quants analisam o mercado de ações. Outros produzem os modelos de

computador que analisam os riscos e lucros quase incomensuráveis de

negócios complexos ou dirigem seus próprios fundos hedge e percorrem vastos

universos de dados em busca de disparidades mínimas que possam lhes dar uma

vantagem.


Mas mesmo os quants tendem a concordar que o que fazem não é exatamente

ciência.


Como diz Derman em seu livro "My Life as a Quant: Reflections on Physics

and Finance" [Minha vida como um quant: Reflexões sobre física e finanças],

"na física poderá haver um dia uma Teoria do Tudo; nas finanças e nas

ciências sociais, você terá sorte se houver uma teoria útil de qualquer

coisa".


Os físicos começaram a deixar a academia atrás dos empregos em Wall Street

no final dos anos 1970. Chegaram no meio de uma revolução financeira. Entre

outras coisas, o aumento da inflação havia tornado as finanças mais

complexas e arriscadas, e era necessário ter uma perícia matemática cada

vez mais sofisticada para entender até investimentos simples como títulos.

Chegam os quants.


Mas foi nas opções de ações que essa revolução teve seu maior e mais famoso

sucesso. Na década de 1970 o já morto Fischer Black, do Goldman Sachs,

Myron S. Scholes, da Universidade Stanford, e Robert C. Merton, de Harvard,

haviam descoberto como avaliar e proteger essas opções de uma maneira que

parecia garantir os lucros. O chamado modelo Black-Scholes foi o padrão de

ouro dos quants desde então.


Merton e Scholes ganharam o prêmio Nobel de ciência econômica em 1997 pelo

modelo de opções de ações. Apenas um ano depois, o Long Term Capital

Management, fundo hedge altamente vantajoso cuja diretoria incluía os dois

laureados pelo Nobel, desmoronou e teve de ser socorrido em US$ 3,65

bilhões por um grupo de bancos.


Depois, um memorando do banco Merrill Lynch notou que os modelos

financeiros "podem dar uma sensação de segurança maior do que se garante;

portanto, a confiança nesses modelos deve ser limitada".


Foi uma lição que aparentemente ninguém aprendeu.


Diante da situação mundial atual, é justo perguntar se os quants têm alguma

ideia do que estão fazendo.


Lee Smolin, físico do Instituto Perimeter de Física Teórica em Waterloo,

Ontário (Canadá), disse: "O que me surpreende ao saber disso é como são

tênues as bases teóricas das alegações de que os derivativos e outros

instrumentos financeiros complexos reduziriam os riscos, quando na verdade

sua utilização trouxe instabilidades". Um dos críticos mais veementes é

Nassim Nicholas Taleb, ex-corretor e hoje professor na Universidade de Nova

York.


Ele teve uma recepção adulatória no recente Fórum Econômico Mundial em

Davos (Suíça). Em seu livro campeão de vendas "The Black Swan" [O cisne

negro], Taleb afirma que as finanças e a história são dominadas por eventos

raros e imprevisíveis.


"Qualquer corretor lhe dirá que todo gerente de risco é uma fraude", ele

disse, e os corretores de opções costumavam se dar bem antes de

Black-Scholes.


"Acho que os físicos deveriam voltar para o departamento de física e deixar

Wall Street em paz", ele disse. Segundo Derman, os modelos podem ser uma

orientação útil desde que você não os confunda com ciência real. Mas

algumas pessoas levam os modelos demasiadamente a sério? "Não as pessoas

inteligentes", disse Derman.

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