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quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Milionários tentam usar fortuna para ganhar tempo

Renato Bernhoeft
06/02/2008
Valor Online

As últimas pesquisas com milionários de todo o mundo indicaram algo em comum, além das fortunas acumuladas: uma acentuada preocupação com o uso do tempo e seus efeitos sobre a qualidade de vida. E esta sensação de bem-estar, efetivamente, o dinheiro não compra e muito menos proporciona.

Os resultados nos permitem alguns comentários que parecem dignos para algumas reflexões, além de uma ação efetiva dos milionários brasileiros. O número de afortunados, aliás, tem crescido muito - pelo menos em quantidade - nos últimos dois anos. A primeira reflexão é a necessária reversão de um velho, e infeliz provérbio popular, que consagrou a falsa idéia de que "tempo é dinheiro".

O tempo - e esta não é uma descoberta recente - é muito mais importante do que o dinheiro e isso por um conjunto de razões relativamente simples, que não exigem grandes elucubrações. Em primeiro lugar, porque o tempo continua sendo um mistério que nos confunde. Ele tanto pode ser visto, de forma simplista como um mero recurso ou medida que administramos. Mas ele é, também, um conjunto de "sensações" decorrentes dos efeitos que percebemos como produto da forma como o usamos.

A segunda questão é que o tempo é o recurso mais democrático que dispomos. Todos nós, independentemente do sexo, cor, condição social, localização geográfica ou dinheiro acumulado, recebemos a mesma quantidade. Ao iniciarmos um novo dia, temos à nossa disposição 24 horas. O que nos torna diferentes é a forma como as utilizamos e as sensações que este uso provoca em cada um de nós. Alguns concluem seu dia com um agradável sentimento de realização. Outros transitam por toda uma vida, queixando-se de forma constante, que o tempo não lhes é favorável. Inclusive alguns até chegam a morrer por esta insatisfação permanente.

O terceiro ponto que merece destaque é que o tempo, de uma forma muito diferente que o dinheiro (ou fortuna), é inelástico e irreversível. Ou seja, o dia tem 24 horas, divididas em 60 minutos, que por sua vez estão distribuídos em 60 segundos. E nada mais, nem menos. Este tempo não pode ser ampliado ou encurtado. É com ele que contamos.

Por outro lado, e quem sabe mais importante ainda, o tempo é irreversível, não recuperável e muito menos passível de ser "estocado". Ou seja, aquele aniversário do filho em que você esteve ausente, não retorna mais. Embora você possa lhe oferecer carinho num telefonema e muitos presentes para tentar agradá-lo, este momento não retorna. Ele foi perdido.

Portanto, o tempo precisa ser usado no momento certo e, na medida do possível, procurando desfrutar das sensações que ele pode lhe proporcionar naquela circunstância. Já com o dinheiro, é possível recuperar algo que foi perdido, bem como guardá-lo, ou aplicá-lo, para que possa "render" e ser utilizado em momento mais adequado ou conveniente.

A pesquisa feita pela gestora de fortunas do Barclays Wealth levou em consideração pessoas que possuem fortunas líquidas acima de US$ 3 milhões. E entre suas conclusões, está que "as evidências sugerem que o tempo é uma commodity cada vez mais importante, na medida em que as pessoas escalam a pirâmide da riqueza. A demanda entre os ricos por serviços que possibilitem a economia de tempo está crescendo rapidamente", conclui o relatório.

Dois terços dos pesquisados declarou que "o dinheiro lhes proporcionou mais tempo, mas também um aumento da sensação de estresse". Segundo elas, "o tempo é um luxo definitivo e se sentem felizes diante da possibilidade de comprar serviços que lhes permitam aproveitar melhor a vida". E no conjunto desses serviços estão aviões particulares, iates, mordomos, cozinheiros, estilistas de moda, conselheiros para compras, piscinas que se transformam em pista de dança sob o toque de um botão, papel de parede em que as folhas das árvores se movem, etc.

Segundo Nicholas Candy, sócio de uma companhia de design de interiores com muito sucesso neste público, "a diferença entre o conceito de luxo no passado e hoje em dia é que agora ele diz respeito à experiência - o serviço -, enquanto que antes ele era bastante orientado para produtos".

O que pode ser importante para estas pessoas não é saber o quanto elas conseguem ao ter mais tempo disponível, mas que sentido dão a esse tempo e o quanto também estas sensações lhes permite uma vida mais plena. Seria muito pobre imaginar que este tempo serve apenas para consumir mais, ter ou apenas parecer diante dos outros.

Quem sabe os novos ricos possam ter, e proporcionar, vidas mais plenas, especialmente na medida em que ao desenvolver o ser, tornam-se instrumentos de transformação da sociedade em que vivem. Até para serem lembrados não pelo patrimônio que acumularem, mas pelo que deixaram como legado aos herdeiros e comunidade. Vale pensar e agir.

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